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A tradição brasileira da lingerie na virada: origem, significados e por que ela permanece
Poucas tradições de fim de ano são tão especificamente brasileiras quanto a lingerie na virada. Em outros países, as roupas do réveillon seguem a estética da festa, não um código de cores com intenções. No Brasil, a escolha da lingerie na virada do ano é deliberada, simbólica e, para muitas mulheres, tão importante quanto a roupa que vai por cima. A tradição brasileira da lingerie na virada tem raízes profundas — mais do que a maioria imagina.
Este artigo traça a origem dessa prática, mapeia o significado das principais cores e explica por que um costume com décadas de existência continua sendo transmitido entre gerações — com adaptações, mas sem desaparecer.
A origem: religiões de matriz africana e a festa de Iemanjá
A tradição da lingerie branca na virada do ano no Brasil tem origem direta nas religiões afro-brasileiras — especialmente no Candomblé e na Umbanda. O branco é a cor de Oxalá, orixá da criação, da paz e da pureza. Usar branco na virada é uma forma de homenagear esse orixá e de se apresentar ao novo ano com leveza e abertura.
A festa de Iemanjá, celebrada no dia 2 de fevereiro mas com ritos que começam na virada do ano em muitas regiões do Brasil, popularizou o branco como cor da praia, da prosperidade e da proteção das águas. A confluência dessas práticas com o réveillon — especialmente nas praias cariocas, com a festa de Copacabana — criou um elo entre o branco, a virada e o ritual de projeção para o ano que começa.
Com o tempo, o costume saiu dos terreiros e das praias e se tornou popular em todo o país, independente de crença religiosa. Hoje, usar lingerie branca na virada é um gesto de intenção que transcendeu sua origem e se tornou parte da cultura laica brasileira de fim de ano.
Como as cores se expandiram: de uma para muitas
O branco foi a primeira cor com código na virada. Mas a lógica das cores com intenção se expandiu ao longo das décadas, incorporando o sistema de cores dos orixás e adaptando-o para o consumo popular. Cada cor passou a ser associada a uma intenção específica para o ano que começa, e essa chave de leitura entrou no imaginário nacional com força.
O vermelho tornou-se a cor do amor e da paixão. O amarelo, da prosperidade e do dinheiro. O verde, da saúde e da vitalidade. O rosa, da amizade e do afeto. O azul, da paz e da tranquilidade. O roxo, da espiritualidade e da sabedoria. Cada cor com uma intenção específica — e a lingerie passou a ser o suporte privilegiado dessa intenção porque é a peça mais próxima do corpo, a mais íntima e a primeira a ser vestida na virada.
Por que a lingerie e não a roupa externa?
Essa é a pergunta que revela a essência da tradição. A lingerie é escolhida justamente porque é privada: o ritual é pessoal, entre a mulher e a sua intenção para o ano que começa. Não é exibida; é sentida. A cor externa pode ser escolhida por estética, por harmonização com o look, por pressão social. A cor da lingerie é escolhida por intenção autêntica. É por isso que o costume persiste mesmo entre mulheres que não têm vinculação religiosa com as raízes da prática.
A tradição hoje: entre ritual e escolha pessoal
A tradição brasileira da lingerie na virada do ano se transformou. Para algumas mulheres, é um ritual com significado espiritual preservado. Para outras, é um costume familiar passado de mãe para filha, com mais afeto do que teologia. Para outras ainda, é uma forma contemporânea de intenção — uma declaração silenciosa do que se quer para o próximo ciclo, sem vinculação a nenhum sistema de crenças específico.
O que todas essas versões têm em comum é o gesto: a escolha da cor com consciência. E é essa consciência que mantém a tradição viva. Quando a escolha é deliberada, a lingerie deixa de ser roupa íntima e se torna objeto de ritual — um detalhe pequeno com significação grande.
As peças da coleção Vittorino incluem opções nas principais cores da virada — branco, amarelo, vermelho, verde — com acabamento e qualidade que honram a importância do ritual. A linha de calcinhas oferece modelos em diferentes tecidos e coberturas para que a escolha da cor não precise abrir mão do conforto.
A tradição brasileira da lingerie na virada do ano é um dos gestos mais silenciosos e mais pessoais do réveillon. Sua força não está na visibilidade — está exatamente na ausência dela. Uma intenção que só você sabe que está lá.
Dúvidas frequentes
Preciso ter religião para seguir a tradição da lingerie na virada?
Não. A tradição tem origem nas religiões afro-brasileiras, mas se tornou parte da cultura popular do país independente de crença religiosa. Muitas mulheres seguem o costume como gesto de intenção pessoal ou tradição familiar, sem vinculação religiosa específica. O significado é de cada uma.
O costume da lingerie na virada existe em outros países?
Não da mesma forma. Alguns países têm tradições de roupa com cor específica na virada — vermelho em países da Europa do Leste, por exemplo — mas nenhum com o nível de especificidade do Brasil quanto à lingerie e ao sistema de cores com intenções distintas. É uma tradição genuinamente brasileira.
A cor da lingerie precisa combinar com a roupa externa na virada?
Não é necessário. A lógica da tradição é que a cor da lingerie é escolhida pela intenção, não pela estética do look. A roupa externa pode ser branca porque a festa pede, e a lingerie pode ser amarela porque a intenção é prosperidade. As duas escolhas são autônomas e não precisam se justificar uma à outra.
